Minha psicanalista está em férias. Já são duas semanas sem nossas sessões.
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Se no princípio achei que fosse ser difícil, agora percebo que estou conseguindo ponderar mais diante de algumas situações.
Eu sou inconsequente. Falo coisas que machucam, reajo de forma negativa a muita coisa e não sei dar nome aos sentimentos. Sinto falta de um repertório maior. Parece que aqui dentro tudo se divide em dor, raiva, alegria. Sem outras opções.
Da dor vem a tristeza. Da raiva às vezes também.
Quando estou em paz é quando estou alegre. A apatia pode ser paz e pode ser alegre. E por apatia eu me refiro àqueles momentos em que não me sinto nem alegre, nem triste. Mas desconfio que estou errando a definição do sentimento.
Essas semanas estão bem OK: sem brigas no relacionamento, sem discussões em família. No trabalho ainda tenho dificuldade em receber críticas. Por menores que sejam elas me abalam. Às vezes é só um toque de como melhorar, mas me abalam.
Minha alimentação mudou um pouco e ando comendo doces. Meu paladar faz um bom tempo que não procura açúcar e companhia, mas tem mais ou menos um mês que tenho buscado um chocolate, um doce, um bolo. Coisas antes bem raras. Esse açúcar na hora me relaxa, mas por diversas vezes tenho me sentido mais ansiosa. Ansiosa em relação a pequenos compromissos. Por exemplo, semana passada combinei de ir na casa da Letícia, minha namorada, marcamos mais ou menos um horário para tomarmos café da manhã juntas. Acordei no horário, mas pensar em sair da cama me deu uma angustia gigantesca. Ah, tenho tido pesadelos também. Sonho com perseguição, brigas, com não estar usando máscara em lugares com aglomeração. Sonhei também com traição. E sonhei até com política.
Tirando os sonhos esquisitos, o açúcar e a ansiedade, está tudo bem, obrigada.
Letícia tem pontuado bastante a minha distração quando ela está falando. Eu juro que gostaria de entender o que acontece com a minha cabeça que em determinado ponto desliga e começo a divagar com meus próprios pensamentos.
Ainda assim, as últimas semanas têm sido boas. Saldo positivo e um horizonte bonito logo a frente.
Neste final de semana perdi um tio. Irmão do meu pai. Isso três meses após perder outro tio, também irmão do meu pai. O luto em tempos de pandemia é diferente.

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