
Eu estou com tanta raiva, sabe?
Uma raiva que não me permite abrir o peito e gritar as coisas que estão engasgadas aqui.
Eu me apeguei nas minhas certezas e as tenho como únicas certezas possíveis. E sendo essas as únicas certezas possíveis – sobre o jeito certo de levar a vida, as responsabilidades, sobre finanças, hábitos e costumes, como diria meu pai – acho doloroso, impossível mudar de ideia, querer mudar de ideia. Mudar.
Mudança. Mudança. Mu-dan-ça. M U D A N Ç A.
Por que é tão difícil mudar? Por que, para mim, é difícil, querer mudar?
Resolvi, numa fuga ao passado, ouvir minhas músicas mais ouvidas em 2016.
Se sem querer tanta coisa mudou – e foi bom – por que hoje, agora, é tão angustiante mudar?
Eu não tenho essa áurea que me pintam. Aliás, pra falar a verdade eu nem sei o que pareço para os outros. Eu sei o que eu tento (e falho ao tentar) parecer.
Eu sei lá como você veio parar aqui para ler estas palavras. É só mais um desabafo de alguém perdido no mundo.
Eu sempre achei a dor poética, sabe? Não sou o tipo de pessoa que consome poesia, curto a prosa, a crônica, o drama, o romance... Mas sobre a dor da poesia, eu sempre lembro de Fernando Pessoa: “O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.” E cá estou eu. Nesse impasse de sentir uma dor que não sinto. De colocar drama onde não tem. De ter medo das mudanças que vão acontecer mesmo que eu não queira.
No fim, acho que volto a um ponto: controle.

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