Antes da lembrança


Acabei de assistir Sonhos de Trem. Adaptação do livro de mesmo nome. Fui tomada por algumas emoções.

Uma única palavra vem à mente: zeitgeist. O espírito do tempo.

É curioso perceber como as coisas vão se conectando. Hoje mais cedo, ao ouvir algumas coisas que eu costumava ouvir lá pelos idos de 2008, 2009, pensei justamente nessa coisa de viajar no tempo. Ou de memórias. Lembranças. E esse sentimento de ver o tempo passar.

Sonhos de Trem é uma poesia na tela. É contemplar a passagem do tempo. Assistir à dor e ao amor. É de uma fotografia realmente ímpar.

Em que momentos é que a gente se sente vivo? E será que é possível ter a noção do que vai ficar na memória pra sempre?

É como lembrar do primeiro beijo. Ou de uma grande paixão que passou.

A música tem um poder muito forte de me trazer lembranças e me transportar no tempo.

Parar para escutar música é algo que todos deveriam fazer. É algo que eu deveria fazer com mais constância. Absorver a melodia, a letra...

Sei lá. É como ouvir Olivia Dean. É a primeira vez, mas parece que já estive aqui antes. É como banho de chuva em dia quente de verão. É como um sabor que nunca mais vou experimentar, mas que segue vivo na boca.

Construí um zeitgeist particular. Se é que isso é possível. Na cabeça, relembro a cena do avião, enquanto toco mentalmente o refrão de The Man I Need.

Hoje é um marco no tempo. Espero que esse sentimento, que me é atrelado ao escrever, permaneça e que, daqui a uns anos, ao ouvir, por acaso, numa playlist aleatória, Olivia Dean novamente, me venham lágrimas de felicidade, similares às que derramei hoje pela felicidade de contemplar uma obra de arte.

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