Manhãs de fevereiro

Existe uma certa graça nas manhãs de fevereiro.

É verão, o clima é quente, mas as manhãs, com uma brisa, fazem a pele sentir um frescor. A temperatura ainda amena, boa parte das pessoas ainda está no caminho. No caminho do trabalho, da escola.

Por esses dias, fui caminhar numa dessas manhãs de fevereiro. Era volta às aulas. Com quase 41 anos, tentei relembrar da época em que eu era a aluna a caminho da escola. Sempre gostei de estudar de manhã.

Os adolescentes em grupos. As crianças com seus pais ou cuidadores. Famílias levando crianças e bebês em seus primeiros dias de um novo ano. Do primeiro ano. De uma nova rotina.

Muitas primeiras vezes. Trânsito. Carros em fila dupla. Tudo isso em poucos minutos de uma manhã de fevereiro. Muitas pessoas caminhando e correndo.

Manhãs de fevereiro são vivas. Mostram um cotidiano que eu gosto de reparar.

Até o cheiro desse tipo de manhã é diferente.

Eu gosto de sentir o sol aquecendo a pele de leve. Do contraste entre estar no sol ou estar na sombra.

Eu lembro de pouca coisa.

Vi uma adolescente saindo de casa e trancando o portão e tentei lembrar como era o meu caminho. Tentei lembrar o que estaria pensando nessa mesma época. Faz tanto tempo. Eu não lembrei.

Toda essa cena poderia ser parte de um filme. Mas aí um ciclista quase atropelou um pedestre que estava caminhando na ciclovia, e eu lembrei que era a vida real.

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