
Tempo, tempo, tempo. O que é o tempo? É o passar dos minutos? É a sucessão de um agora após o outro? É relativo? É eterno?
São tantas as questões sobre algo que a gente nem vê passar. Que eu nem vejo passar.
Eu tenho tantas perguntas sobre o “agora”. E tenho perguntas também sobre o “depois”. E se me permite, também tenho perguntas sobre o antes. O que era? Como era? Por que era?
E como o antes deixou de ser agora quando ainda era depois? Entende?
Eu me preocupo tanto com o que ainda não veio. Tento organizar as atividades, planejar a rotina, antecipar os passos, as conversas, os cheiros e gostos. Eu tento viver antes do instante. É uma constante. Quando percebo, já falei, já senti, já errei, já perdi e nem vi.
Nem vi o tempo, o sentimento, o ato, a fala, o reflexo. Aí eu volto para o passado e me culpo, me faço de vítima das circunstâncias. E mesmo me culpando, entendo que sou vítima e não algoz. E me culpando, como vítima que sou, digo que perco a cabeça, não sou o carrasco que a decepa, não sou eu quem empunha a lâmina, que aqui poderia ser chamada de responsabilidade.
Separo a razão da emoção, mas é só da boca pra fora. No tempo de agora eu não sei sentir. Quando passo por esse caminho na minha cabeça, de alguma forma, eu já estive aqui antes. Eu já fantasiei, já pensei nas variáveis e já pensei na melhor de controlar. C-O-N-T-R-O-L-E.
Eu edito minhas partes, faço um remix de referências na busca de algo que me faça compreender o que sou, o que sinto, como sinto. Procuro por aceitação. No fim só encontro conformismo. Encontro no outro os defeitos que não aceito em mim, que não quero em mim.
Eu nunca estou no agora. Na terça penso no almoço de quarta. Na tarde de quinta-feira penso nos compromissos de sexta. Na madrugada da sexta eu penso no encontro de domingo. Em setembro eu penso sobre a passagem de ano.
Qual o limite do controle? Qual o limite do tempo? Ainda que eu planeje tudo eu não controlo o sentir. E o tempo é isso. É sentir.
Eu já não sei mais se essas palavras fazem sentido. Dói. Mas é uma dor seca. Oca. Vazia. A dor é igual as coisas que ganhei quando tentei estar à frente do meu tempo.
Como pode a dor ser vazia?
Percebi que se algo me incomoda eu procuro um culpado. Não olho para o que sinto, não vejo a raiz. Quando olho vejo apenas o fruto: O fruto já colhido, provado e mordido. E raramente me lembro do momento, do exato instante da mordida. É como se eu estivesse sempre no futuro (ou no passado) e quando volto à consciência eu tenho flashes do que foi o presente.
Seria uma ilusão constante?
Eu digo coisas que machucam. E me arrependo no instante seguinte. É a consequência que me amedronta. É o julgamento. O julgamento que começa em mim.
Tempo, tempo, tempo. Comecei a escrever isso aqui tem dois dias. Dois dias que vou e volto nas palavras.
Eu sinto que eu não tenho disciplina. Mas eu queria ter.
Essa distância-tempo-lacuna que existe entre o que eu sou e o que eu quero parecer ser mas não sou e nem sei se serei...
Como ficar e focar no agora?

2 comentários
Me identifico muito com seus textos!
ResponderExcluirMe indentifico muito com os textos, coisas que passo no dia dia, essa montanha russa de sentimentos e sensações...
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